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DECLARAÇÃO DO II ENCONTRO DO ANARQUISMO ESPECIFISTA DO NORDESTE

Publicado por Núcleo Negro em 10 de Abril de 2012
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Está dado mais um passo no avanço do Anarquismo Especifista no Nordeste do Brasil. Reunidos em Recife, nos empenhamos em aprofundar o debate sobre o especifismo e estruturação dos agrupamentos políticos em nossa região, com vistas ao nosso fortalecimento e consolidação.

Compreendemos que o especifismo está para além de um simples modelo organizativo e significa também o início de uma construção teórica própria dentro do anarquismo. Mesmo que hoje ainda não exista em nosso interior uma teoria comum, já possuímos uma prática política próxima, a qual certamente terá influencia em nosso desenvolvimento teórico unitário.

Dialogamos com clássicos, a exemplo de Bakunin e Malatesta, bem como com a experiência mais recente desenvolvida pelos camaradas da Federação Anarquista Uruguaia (FAU) desde a década de 1950. E, assim, procuramos avançar em construir elementos para nossas formulações próprias em termos teóricos e organizativos a fim de aperfeiçoar nossa prática política e fincar as raízes de nossa ideologia.

Neste desafio, destacamos a importância da minoria ativa como princípio do especifismo. Ou seja, de o anarquismo se articular cada vez mais para fermentar as lutas no seio dos movimentos sociais, visando a construção de posturas mais combativas e horizontais. Em uma expressão: criar um povo forte.

Na luta pela construção do poder popular, assumimos o “poder” enquanto a capacidade de fazer e não a possibilidade de oprimir. É preciso fazer a dissociação entre as noções de “poder” e “domínio”, entendendo domínio como a atitude de usar a força do povo contra ele próprio. Esta concepção é resultado de nossa ideologia e teoria; e influencia nossa estratégia.

Atentos à necessidade de consolidação e expansão do especifismo, nosso encontro faz parte do esforço histórico de alinhamento regional para fortalecer a coordenação nacional das lutas. Neste espírito, saudamos o Fórum do Anarquismo Organizado e outras organizações especifistas na batalha por construir a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), a ser fundada em junho deste ano.

LUTA, CRIAR, PODER POPULAR!!

VIVA A ANARQUIA!!

Assinam esta declaração:

- Coletivo Anarquista Núcleo Negro – Pernambuco

- Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas

- Coletivo Libertário Delmirense (COLIDE) – Alagoas

- Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará

Reunidos no II Encontro do Anarquismo Especifista do Nordeste

Recife – Pernambuco, nos dias 06, 07 e 08 de abril de 2012

Fundado o Coletivo Anarquista Núcleo Negro

Publicado por Núcleo Negro em 5 de Abril de 2012
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Seminário marca, simbolicamente, a fundação da organização política Núcleo Negro, em 04 de abril de 2012.

Após dois anos de longo trabalho de alinhamento teórico e político,internamente e em articulação com outras organizações do Brasil,  o Coletivo Anarquista Núcleo Negro publicizou sua existência em Ato de Fundação e Seminário, que discutiu Anarquismo e Organização no Brasil. A atividade foi realizada no SINTUFEPE, no bairro da Várzea, Recife, e contou com a participação das seguintes organizações do Nordeste: Coletivo Zumbi dos Palmares – CAZP, Coletivo Libertário Delmirense – COLIDE e Organização Resistência Libertária – ORL, respectivamente de Alagoas e Ceará, além de simpatizantes, curiosos e camaradas de outros coletivos.

Estas organizações seguirão reunidas, entre os dias 06 e 08 de abril, no II Encontro do Anarquismo Especifista do Nordeste. A primeira edição realizou-se em Maceió/AL, no final de 2011.

Agradecemos tod@s que compareceram e às organizações do  Brasil pelas saudações enviadas.

Não está morto quem luta!

Ato de Fundação e Seminário

Publicado por Núcleo Negro em 26 de Março de 2012
Publicado em: Uncategorized. 3 comentários

“QUANDO OS DE BAIXO SE MOVEM OS DE CIMA CAEM!”

Publicado por Núcleo Negro em 28 de Janeiro de 2012
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Nota pública dos Anarquistas de Pernambuco acerca do Movimento contra o Aumento da Tarifa.

Em reportagem de 24.01.2012 do portal Folha de Pernambuco, “Protesto termina com confronto violento entre polícia e manifestantes” [http://www1.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/cotidiano/noticias/arquivos/2011/outubro/0268.html], entrevistas atribuíram “aos anarquistas” a continuidade das manifestações na Avenida Conde da Boa Vista. Sobre esta falácia e falta de sensibilidade com a maioria de manifestantes independentes, temos algumas considerações:

 

* Não se pode irresponsavelmente taxar uma maioria que se agrega a um ato de “anarquista” só porque esta maioria agiu fora das linhas definidas por algumas organizações. Este raciocínio pretende associar desorganização a Anarquismo de maneira grosseira e deliberada, se aproveitando do senso comum em torno do termo para deslegitimar o grupo resistente e fazer anti-propaganda ideológica. Um desrespeito a uma corrente histórica do Socialismo que, apesar de obscurecida, possui princípios bem definidos [autogestão, classismo, democracia de base, federalismo]. Não ter partido não é sinônimo de ser anarquista. Além disso, afirmações deste gênero são manobra para se eximir da responsabilidade de continuar na manifestação e garantir a segurança mínima dos que se agregaram ao protesto, bem como um rótulo posto à força em quem não tem filiação ideológica. É preciso coragem, e não cartilhas, para resistir.

 

* Nós, anarquistas de Pernambuco, não estamos à frente, tangendo nem dirigindo. Não partilhamos da concepção VANGUARDISTA de fazer política. Não estamos nem à frente nem atrás, mas ombro a ombro com aqueles que de fato estão construindo as manifestações, a partir das bases, como povo. Afinal, se queremos compartilhar como companheiros, como iguais, como iguais devemos nos portar. Não é ético nos destarcamos da grande massa e nos utilizarmos dela para controlá-la, não verdadeiramente promovendo princípios e ideais, mas grupos e entidades, ou até pior: auto-promovendo-se. Não precisamos de chefes. Nâo precisamos de donos. Temos o direito de participar. De decidir. E isso se faz junto, não à parte. Devemos reivindicar não apenas as pautas do movimento, mas nosso DIREITO DE PARTICIPAÇÃO. Claro: com responsabidade. Mas a responsabilidade deve ser partilhada, deve ser coletiva, como coletivo é o ato. Pois como diz aquela velha máxima, “um povo forte não precisa de chefes”.

* Damos total apoio ao movimento contra o aumento das passagens por ver nele uma resposta popular aos desmandos de Eduardo Campos que age como ditador do alto de seus 82% de aprovação nas eleições. É dele a violência, não daqueles que se manifestam. Não devemos confundir desobediência civil e ação direta com “caos” e “bagunça”. Afinal, por que o ato daqueles que tão-somente paralisam vias de trânsito (desarmados e tendo como anteparo seu próprio corpo) é tido como “violento” quando, do outro lado, a polícia responde com truculência, bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e abuso de autoridade?

 

* Ao contrário de alguns oportunistas, não é nossa pretensão fazer de um movimento popular palanque e trampolim político visando as eleições que estão às portas. Não nos enganemos: alguns daqueles que hoje levam bala de borracha nas manifestações são os que amanhã fazem do parlamento carreira e profissão, estorquindo o povo com salários astronômicos de 5 digítos. Ao nosso ver, o foco de todos deve ser, de fato, barrar o aumento, além de retirar as rédeas das mãos do punhado de 5 ou 6 famílias que privadamente mandam no transporte “público” viário da Região Metropolitana. Quem luta por esse objetivo está do lado do movimento e do povo.

É direito inalienável nosso a livre manifestação tanto de idéias quanto de repúdio às arbitrariedades daqueles que, “em cima do trono”, fazem da cidade uma praça de guerra. O dever de todos neste momento é lutar junto àqueles que reivindicam prerrogativas básicas como a de ir e vir ou a de simplesmente dizer “basta”. Façamos coro para tirarmos os direitos do papel e transformá-los na prática em realidade.

 

Pois a cara feia da polícia é a verdadeira face do Estado e do Governo Eduardo Campos.

 

Vamos à luta contra o aumento!

Pelo Passe Livre!

À frente os que constroem o Poder Popular!

 

Assinam:

Coletivo Anarquista Núcleo Negro

Difusão Libertária

O ANARQUISMO ESPECIFISTA NO NORDESTE DO BRASIL

Publicado por Núcleo Negro em 8 de Novembro de 2011
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O ANARQUISMO ESPECIFISTA NO NORDESTE DO BRASIL

A História do Anarquismo no Nordeste não é tão recente quanto se pensa. A participação e influência da militância anarquista nesta região, que hoje conhecemos como Nordeste do Brasil, pode ser facilmente notada na imprensa e nas diversas associações de trabalhadores desde o começo do século passado, quando o Anarquismo contava com forte enraizamento nas lutas e mantinha firme seu vetor social. Trazer à luz tal História deve ser uma de nossas tarefas, pelo aprendizado adquirido com o conhecimento das experiências de outrora, como forma de respeito à memória de companheiros e companheiras que tanto fizeram junto aos oprimidos e explorados dessas terras e pela própria ideologia que reivindicamos.

O Capitalismo, sistema de organização e dominação social alicerçado na exploração e opressão das classes trabalhadoras, longe de caminhar evolutivamente para sua própria destruição ou ser engolido por suas próprias crises, como advogaram muitos teóricos da tradição socialista autoritária, avança vencendo essas mesmas crises, reorganizando suas contradições e (re)modelando formas de opressão e restrição da liberdade. Isso nos faz acreditar que não podemos esperar o capitalismo cair por si só, muito menos adotar uma postura apenas de resistência aos efeitos das tensões pelas quais passa o mundo do capital e suas instituições. Faz-nos acreditar que, antes de tudo, é urgente a necessidade dos trabalhadores contra-atacarem às classes privilegiadas e sua instituição mantenedora da miséria, o Estado. Para isso, urge novamente a vital organização do nosso povo, com a firme disposição de enfrentamento aos patrões e governos.

Dentro desse panorama, é importante destacar que entendemos como os protagonistas das lutas sociais aqueles que para nós devem construir uma transformação social radical do mundo em que vivemos, no sentido de substituir o sistema de dominação social do capital por outro baseado na liberdade, na igualdade e na solidariedade. Algumas correntes socialistas, fiéis a sua raiz ideológica, seguem mantendo o “fetiche” de que apenas os operários urbanos e das fábricas são os protagonistas de uma verdadeira transformação da sociedade; disseminando um forte desprezo pelos setores mais oprimidos e explorados do nosso povo e demonstrando a falta de entendimento político pelo apego a um centralismo caduco e equivocado. Para estas correntes, os únicos “sujeitos revolucionários” são os operários – “que sujam os macacões nas fábricas” – em detrimento do conjunto do proletariado, entendidos aqui enquanto o conjunto dos/as trabalhadores/as, inclusive os/as desempregados/as, e das comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, pescadores e etc).

Resumir nossa atenção e esforço militante a um único setor, por mais importante que este seja, é cair em um erro já alertado por Mikhail Bakunin, desde a segunda metade do século XIX. A revolução apenas dos trabalhadores fabris e das cidades é insuficiente para dar conta de um processo avançado de lutas que nos leve a uma “vitória duradoura” pela transformação radical da sociedade. Com essa visão que restringe os sujeitos sociais da mudança, no máximo o que conseguiríamos seria uma revolução política, parlamentar, onde caberia apenas mais o reforço da ordem estatal e quimérica do Estado. Neste sentido é que enfatizamos a necessidade de uma Revolução Social, que enseje em seu bojo uma transformação das estruturas políticas, obviamente, mas que traga fundamentalmente transformações das estruturas econômicas e sociais. Uma revolução que possibilite criar uma nova sociedade, construída por homens e mulheres livres e iguais, e não mais uma revolução que conduza apenas ao reflexo desta (des)ordem de injustiça e opressão do mundo atual.

O Nordeste do Brasil, durante séculos uma região marcada pelo latifúndio e suas graves consequências – as mais visíveis sendo o coronelismo e o assujeitamento racista de índios e negros –, vem sofrendo um forte e intenso avanço do capital nas ultimas décadas, sob a justificativa de diminuir a histórica desigualdade econômica existente nas diferentes regiões do Brasil. O número de investimentos avança não somente em apoio à empresa turística perpetrada pelos Estados nordestinos e sua burguesia, com foco no litoral e suas belezas naturais, mas também avança no interior, nas regiões mais afastadas, em diferentes setores como energia, mineração, comércio, construção civil etc. É forte o incentivo para as indústrias que querem se instalar em nossa região e explorar a firme disposição de nosso povo para incrementar o roubo dos empresários e gerar cada vez mais lucros aos capitalistas. Como exemplo disso, temos a transposição de águas do “velho Chico”, o canal do sertão em Alagoas, construção de usinas de energia térmica a carvão, implantação de parques de energia eólica, instalação de refinarias de petróleo, ampliação de pólos produtores de alimentos para exportação, estaleiros, instalação de montadoras de automóvéis, construção de vários resorts e hotéis no litoral – entre outros mega-empreendimentos imobiliários destruidores do meio ambiente e de modos de vida tradicionais –, e tantos inúmeros exemplos mais que demonstram a disposição do capitalismo em recolonizar essa região que há muito deixou de lado, tratando como a “periferia” da produção e da acumulação do capital nacional.

Tendo em vista isso, não podemos mais considerar a região em que vivemos como afastada dos pólos econômicos e de produção no Brasil, pois atualmente o alvo do capital e de sua sanha destruidora se voltam para outros lugares além dos “centros” políticos e econômicos. Temos que pensar nossa atuação, enquanto anarquistas organizados, neste processo. Não se pode pensar nos estados ao sul do Brasil como lugares nos quais a luta de classes se apresenta com mais intensidade que em outros lugares do país, pois se assim fizéssemos validaríamos a idéia marxista de que os setores avançados do proletariado estariam necessariamente nas regiões mais industrializadas. Não se justifica essa idéia de que, na participação em um processo de lutas e numa conseqüente transformação, as regiões ditas “periféricas” estão fatalmente condenadas a seguir a reboque dos centros de poder econômico e político. Para nós, todo setor explorado e oprimido é potencialmente revolucionário, não apenas um setor que conduzirá todo o processo, não há preponderância do operariado fabril e das cidades. A nossa fraternidade é entre todos os nossos pares, irmãos de luta e que, explorados hoje, se dispõem à construção de um novo mundo. A Revolução será integral e global, ou não será.

Poder popular, autogestão e federalismo fazem parte de nossos princípios, portanto inegociáveis e inflexíveis. Assim, o protagonismo dos setores explorados e oprimidos, dos campos, das cidades e das florestas, das diversas regiões brasileiras, latino-americanas e mundiais; indígenas, desempregados, pescadores, operários, professores e todos outros, é fator indispensável se almejamos com sinceridade a construção de um mundo novo, de uma nova forma de vida. Somente conquistada por meio da transformação revolucionária desta sociedade e a construção de uma nova organização social baseada na autogestão, na democracia direta, na solidariedade e na fraternidade entre iguais.

Sabemos que esta não é uma tarefa fácil. O momento exige uma força hercúlea, mas nós, por estas bandas, estamos seguindo, com esforço e dedicação militante. Como “cabras valentes”, como uma mulher que luta para não ter sua casa (e sua memória) removida por causa de obras de infra-estrutura do capitalismo; como trabalhadores e trabalhadoras que lutam a partir das bases em seus locais de trabalho; como comunidades tradicionais que se mantém firmes e em luta para alcançar e manter algumas mínimas e fundamentais conquistas, após terem sido roubados em seus direitos essenciais ao longo de tanto tempo; como todos aqueles e aquelas que não “arredam o pé” da luta contra todas as formas de opressão e dominação a que estão submetidos neste mundo de miséria, morte e sofrimento.

Caminhamos com o punho ao alto, e certos de que esta é a estrada que nos leva ao objetivo almejado: a igualdade econômica e política de todos/as e a liberdade em seu mais alto grau de expressão, e não um mero privilégio comprado e sustentado pelos capitalistas e administradores do Estado. E que essas aspirações tornem-se, no trilhar do nosso percurso de luta, uma expressão real da vitória dos oprimidos e explorados deste mundo.

Assinam esta declaração:

- Coletivo Anarquista Núcleo Negro – Pernambuco

- Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas

- Coletivo Libertário Delmirense (COLIDE) – Alagoas

- Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará

Reunidos no I Encontro do Anarquismo Especifista do Nordeste

Maceió – Alagoas, nos dias 08 e 09 de outubro de 2011.

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